segunda-feira, 22 de outubro de 2012

RENOVANDO PARA TRASFORMAR

E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:2)

A transformação da sociedade foi resultado de um processo longo e dinâmico através dos séculos, por idéias, inspirações e lutas dos homens. Essa inspiração humana, essa motivação vem de concepções filosóficas que influenciam os fatos históricos e refletem no quotidiano. Quando a sociedade é inspirada por Deus, há justiça, prosperidade e equilíbrio social. Ao contrário há injustiças miséria e desequilíbrio social. Deus pode estar presente nas diversas concepções filosóficas e seu amor pode ser a força geratriz dos atos através da história. A ausência de motivação, de inspiração, de sonhos reflete na ausência de Deus. Essa ausência cogita em violência, exploração, discórdia e intranqüilidade. Para influenciarmos a sociedade onde estamos inseridos é preciso ter uma mente renovada e livre da influencia dos sofismas humanos e da religião. E preciso sinceridade, amor, mansidão e nobreza em nossos atos e deixar que as motivações externas sejam inspiradas em Deus.

Os estímulos externos influenciam o pensamento e o pensamento gera sentimento e o sentimento gera comportamento e o comportamento causa impacto na sociedade. Um pensamento gera uma ação; uma ação repetida gera um hábito; um hábito gera um vício; um vício gera uma natureza. As atrocidades da sociedade são inspiradas pelo ruim. Um tarado que virou estuprador, primeiramente começou a alimenta-se com pensamentos de sexo, que alimentado virou hábito, depois um vício, por conseqüente um comportamento ou natureza de tarado que o levou ao estupro causando impacto na sociedade. Um adolescente viciado em drogas foi influenciado por pensamentos oriundo de pressão de grupo ou falsa onipotência que gerou uma ação, que gerou um hábito, depois um vício e por conseqüente a natureza de viciado em drogas.

Está escrito em provérbios 23:7 que "como o homem imagina em sua alma assim ele é." No salmo 94:11 se ler que os pensamentos do homem são vão. Para que o homem vazio possa pensar em transformar o mundo para melhor é preciso ocupar seus pensamentos. A palavra de Deus dá a resposta em filipenses 4;7 "Tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo que justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento.”

Há muitos estímulos para os pensamentos. Algumas destas motivações juntamente com a natureza humana conspiram contra o realizar, contra a vida. O Apóstolo Paulo diz que se pode transformar o mundo pela renovação dos pensamentos e que isso é uma condição para que se possa conhecer qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. A maneira de pensar tem peso no futuro.

Existe uma tática escravagista para colonização dos pensamentos. Agindo através dos meios de comunicações, da propaganda comercial e da libertinagem artística para satisfazer uma sociedade de consumo há uma mente poderosa que não poupará sua vida. Muda-se a cultura, faze-se a moda, mudam-se as médias sociológicas e aprisionam-se os pensamentos naquilo que não é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, naquilo que não tem virtude. Deixa a cultura reprovável e precisando ser transformada pela renovação dos nossos pensamentos mediante os ensinamentos de Cristo.

Todo ser humano precisa de um ideal, de uma muleta para viver. Enquanto não encontra esse ideal a alma fica como adormecida. Quando algo desperta na mente, então se começa a gastar tempo pensando e esforça-se para alcançá-lo

O que motiva os pensamentos para tomadas de decisão são influenciado basicamente por três concepções filosóficas: a idealista; a psicológica e a materialista.

1- Idealista

Todos os acontecimentos são primordialmente presididos por idéias. Em qualquer acontecimento de ordem econômica, política, intelectual ou religiosa, é preciso observar o papel desempenhado pela IDÉIA como geradora da realidade. Cientistas sociais como Frederico Hegel no início do século XIX já defendia esta tese.

Foi esta concepção que levou milhares e milhares de jovens em todo o mundo a pegarem em armas e defenderem o ideal socialista.

É esta a motivação que leva militantes do green peace a arriscarem a vida colocando seu barquinho na frente de um enorme navio em nome do ideal que defendem – a ecologia.

Precisa-se de pessoas que tenham o entendimento renovado pelo ideal de Cristo, e que lute como estes militantes para que a sociedade seja impregnada pela prática do evangelho.

Quem tem o entendimento renovado não se vende as propostas de um evangelho egoísta, materialista e interesseiro. Um evangelho de discurso sem prática e de super-homens de deus

2-Psicológico Social

As motivações da vida são resultantes de manifestações espirituais produzidas pela vida em comunidade. A motivação depende do estado da alma em determinado agrupamento social. (obras de Wilheim e Wundnt – Elemento de psicologia dos povos e Gustave Le bom – sociologia das multidões exploram este tema)

Aristóteles, sábio grego dizia que o homem é um animal social. E que o homem é influenciado definitivamente pelo meio em que vive. “ o homem é produto do meio”. O meio em que se vive, os diversos grupos de amigos, a instituição religiosa que se freqüenta influencia o pensar do ser humano.

Pode-se ver isso nos meios religiosos em que para ser aceito no grupo tem: que falar com os mesmos jargões; ter a mesma impostação de voz; ter um indumento peculiar ao grupo; ter o mesmo folclore religioso. Também entre os adolescentes que para se sentirem aceitos pelo grupo chegam a usar drogas, fumar, ter corte de cabelo e indumento peculiar, ter tatuagem, gostar do mesmo estilo de música entre outros.

O maior desafio para os cristãos que são chamados para ser luz e sal é: influenciar o grupo ou deixar ser influenciado por ele? Esta é a oportunidade de deixar Cristo ser conhecido através dos atos, da vida.

Segundo Nietczen para que o homem possa existir socialmente em rebanho é preciso um acordo de paz, o homem gosta de viver em glória de empréstimo. Em atos 4:21 os saduceus deixam de castigar os apóstolos por medo do povo ."Eles se aliam aos fariseus até naquilo que não crêem. Eles negociam seus princípios básicos para manter o estatus quo." (Pressão social de grupo)

É desesperador quando se ver cristãos amarem mais as posições hierárquicas ministeriais do que as almas. ( Pensamentos gerado pela pressão social de grupo) Quando se tem na mente um objetivo do grupo, só enxerga-se o que esta procurando. Na sociedade religiosa do quotidiano a pressão de grupo aguça a crise do ser e faz com que o obreiro só pense em projeção ministerial e só mostre interesse naquilo que o ajuda a mostrar serviço, que o coloca como ponto de destaque na congregação.

3-Materialista

As motivações mesmo as de ordem espiritual, são determinados principalmente, pelas condições da vida material reinantes na sociedade a que eles estão ligados. Isto porque, antes de se preocupar com os problemas de cunho espiritual, o homem procura mesmo e obter os bens materiais que lhes garantam os meios de vida: Alimentação, habitação, vestiário e instrumentos de produção. Era o que defendia Karl Marx.

A concepção materialista está em alta no capitalismo selvagem atual. Este vem colonizando e programando a mente das pessoas. O que passa a motivar os pensamentos é um anseio de ter, esse ter entra em crise porque a felicidade fica atrelada a esse possuir. E toda energia é então dispensada para atingir este objetivo. Os filhos crescem, a juventude vai embora e não há tempo para curtir as particularidades de cada momento que a vida propicia. E quando chega a possuir, entra-se em decepção, surge nova necessidade de ter criando uma crise. O Capitalismo se alimenta da crise. Como o Phoenix, as crises geradas por ele é um combustível para um novo nascedouro, uma nova oportunidade, um novo mercado. Parece um paradoxo mais o capitalismo precisa da crise para superar sua crise.

Os apelos pelo possuir poluem o pensamento de todos. E estes pensamentos influenciaram o comportamento mesquinho que impactam a sociedade com assaltos, violências, roubos e outros crimes hediondos. E para combater essa onda de violência surge o mercado da segurança gerando muitos empregos, e empresas. Aumento de contingentes de policiais, delegados, advogados, magistrados, empresas de segurança eletrônicas, de guarde de valores etc...

Esta semana recebi um email de uma amiga que falava sobre toda uma programação capitalista para estética. A programação do pensar materialista está mais ligada ao supérfluo do que os bens materiais que garantam os meios de vida. As propagandas comerciais geram um sentimento de falta que será preenchida com um carro novo, uma boa cerveja ao redor de belas mulheres, com uma TV de LCD, com uma câmera digital de última geração e assim por diante. O materialismo gera um sentimento de insatisfação em todas as áreas sociais. Os apelos fazem as pessoas se sentirem infelizes e propõe a aquisição de algo que poderá trazer de volta a felicidade.

As igrejas evangélicas neopentecostais cresceram com os ideais do capitalismo. As propagandas apelativas mostram testemunhos de pessoas que viviam na miséria e depois que começou a freqüentar a igreja “X” passou ter uma grande prosperidade. Faze-se inventário nas rádios e televisão de tudo que conseguiram agindo pela fé. A igreja perdeu sua identidade de eklesia de Deus e passou a ser uma empresa de fé. Os líderes são mercenários que são avaliados pragmaticamente pelo retorno financeiro que traz a empresa de fé.

Veja o que diz o apóstolo pedro em II Pedro2

1 Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

2 E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade;

3 também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.

Se os clientes não prosperarem conforme a propaganda apresentada ou estão em pecado ou não é o tempo de Deus abençoar. Para prosperarem colocam em risco a própria salvação. Fazem investimentos no fundo da fé e espera o retorno prometido.

“E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo. E disse-lhes o diabo: Dar-ti-ei a ti todo o poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o senhor teu Deus, e só a ele servirás. “ Lc 4

A concepção materialista será reinante nos últimos dias. Em Ap18 lemos

11 E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém compra mais as suas mercadorias:

12 mercadorias de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda e de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, e todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;

13 e canela, especiarias, perfume, mirra e incenso; e vinho, azeite, flor de farinha e trigo; e gado, ovelhas, cavalos e carros; e escravos, e até almas de homens.

Quando se fala em “e até as almas dos homens” esta expondo a supremacia da concepção materialista sobre as demais.

Para transformar o mundo é preciso ter constância no que se acredita e não comprometer as convicções de fé em busca das ofertas materialistas. A negociação da verdade jamais deve ser o acordo de paz para que se possa existir socialmente como rebanho.

Renovar a mente e deixar que os pensamentos renovados influenciem a cultura, a religião, a política e a sociedade. Você pode transformar toda uma cultura pela prática do evangelho. O cristão é enviado a dar ordem ao caos e trazer motivação aos desesperançados. E dizer que o “Espírito de Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para pregar as boas novas aos pobres, Enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos.”

Deixe a palavra de Deus ser a motivação do pensamento e encha sua mente do que é bom, louvável, de boa fama. Que sua memória não se exercite na lembrança do trágico, das humilhações passadas. Que sua mente seja renovada e não viva num ciclo de amargura, da desgraça e do ódio. Dê um basta nas lembranças do passado. Faça como Jeremias "quero trazer a memória aquilo que me pode dar esperança"(Lm 3:21).

Será que você está ocupando sua mente com lamentações das oportunidades que perdeu na vida? Será que a frustração, o ódio, os sentimento de culpa, os complexos não se tornaram os grandes temas do teu raciocínio? Será que os sentimentos de frustração e abandono não tem dominado tua mente?

Se você só tem conseguido lembrar-se da desgraça, dos pensamentos que afloram do passado, ore e leia a Bíblia que Deus vai encher teus pensamentos com coisas novas. Queira renovar, ver o mundo transformado. Queira ser embaixador desta renovação, fazer parte desta transformação e trabalhar conforme a vontade do Espírito de Deus. Deixe Jesus governar sua mente, seus pensamentos e sua vida.

Marcos Avelino

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A NOSSA VIDA É UMA CARREIRA QUE PRECISA ACABAR COM FÉ


1  Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino;

2   prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.

3  Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,

4  e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas.

5  Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.

6  Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está próximo.

7  Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

8  Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

9   Procura vir ter comigo breve;

10 pois Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica, Crescente para a Galácia, Tito para a Dalmácia;

11 só Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.

12 Quanto a Tíquico, enviei-o a Éfeso.

13 Quando vieres traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, especialmente os pergaminhos.

14 Alexandre, o latoeiro, me fez muito mal; o Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras.

15 Tu também guarda-te dele; porque resistiu muito às nossas palavras.

16 Na minha primeira defesa ninguém me assistiu, antes todos me desampararam. Que isto não lhes seja imputado.

17 Mas o Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu, para que por mim fosse cumprida a pregação, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leão,

18 E o Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. (II Tm 4)

 

Era o ano 67 dC. Paulo se encontrava preso pela segunda vez em Roma, nesta época o imperador Nero fazia grande perseguição querendo conter o avanço do cristianismo. Abandonado pelos amigos, Paulo era tratado como prisioneiro comum, dentro dos porões das prisões de Roma, o grande ícone do cristianismo experimentava a solidão o abandono e ansiava pela capa para proteger-se do frio do inverno que se aproximava. Paulo sentia que seu ministério tinha chegado ao fim, e que sua morte era iminente. E o texto que lemos são as últimas palavras escritas antes de sua partida para o Senhor.

Ele começa e termina o texto frisando as promessas do Senhor (v1, v18). Fala da vinda de Jesus, e do seu reino celestial. No v8, ela disserta da coroa da justiça que o aguarda, não somente a ele, mas a todos que amam a vinda do Senhor. Mas no v7 ela frisa que o cristianismo vivido por ele foi um combate, uma carreira que ele terminou guardando a fé.

 A nossa vida é uma jornada, uma caminhada para as promessas de Deus, E não podemos desviar deste caminho. Segundo Seu propósito, e não poucas vezes, Deus intervém na tua história, removendo obstáculos, suprindo necessidades e dando livramentos. Ele providência tudo para você terminar sua carreira bem. Você tem o livre arbítrio para seguir este caminho que Deus providenciou, ou seguir seus próprios caminhos e ser guiados por suas paixões e desejos.

Estamos vivendo dias que antecedem a uma grande intervenção de Deus na história da humanidade. No Pentateuco podemos ver as narrativas de grandes intervenções de Deus na história, como a destruição de Sodoma e Gomorra; as pragas no Egito; a passagem pelo mar vermelho; a providência a seu povo por quarenta anos na jornada pelo o deserto. Era uma coluna de fogo para proteger contra o terrível frio no deserto a noite, era uma nuvem para proteção do sol escaldante do deserto ao dia. Vinha maná do céu e codornizes para alimentação. As vestimentas e os calçados não se deterioravam com o tempo.

Mas de toda aquela geração que viram os milagres e sinais de Deus, apenas dois tiveram o direito de entrar nas promessas de Deus. (Josué e Calebe). O próprio Moisés que falava com Deus, num momento de ira, desobedeceu a Deus, e por causa disso apenas contemplou a terra prometida, a promessa dada a Abraão, mais não pode participar da promessa.

Na nossa carreira de fé não importa o quanto você foi eficiente ou eficaz no decorrer desta carreira, o que importa é como você terminará esta carreira. Não é relevante o quanto você fez no passado, se agora você nega a fé. Na adianta o quanto você foi importante para sua denominação, o quanto foi usado por Deus se você terminar sua vida como um desviado.

Cristianismo é uma caminhada, um combate, uma carreira que você tem que perseverar e lutar dirigentemente pela fé. Por isso que nas cartas de Jesus no apocalipse você encontra incontáveis vezes a advertência ao que perseverar até o fim...

Como na antiga aliança, na nova aliança temos promessas de Deus, Temos promessa da volta de Jesus, temos promessa de participar das bodas do cordeiro, mas para participar destas promessas temos que terminar bem nossa carreira de fé. Por isso que na parábola das dez virgens, Jesus ensina:

Em Mt 25 na parábola das dez virgens está escrito

10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

E em Apocalípse está escrito:

9 E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.

 

O apóstolo Paulo sabendo desta necessidade de terminar bem a carreira escreve:

I tessalonicenses 3

13 para vos confirmar os corações, de sorte que sejam irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santo

I tessalonicenses 5

23 E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

I Timóteo 6

14 a que guardes este mandamento sem mácula e irrepreensível até a [vinda] de nosso Senhor Jesus Cristo;

 

Estamos percorrendo nossa carreira de fé. O evangelho continua sendo pregado através de nosso testemunho de vida. E essa carreira tem que terminar com fé.

Existem pessoas que em sua história de vida começou bem, e terminaram mal. Em nossos dias conhecemos muitas pessoas que começaram bem e terminam mal. Começaram bem no seu casamento, uma festa e tanto, um paixão desenfreada, mas termina mal, com tragédia da separação e do ódio.

Começou bem como empresário, mais termina mal com a falência. Começou bem no ministério, mas terminou mal, envergonhando o nome de Jesus e obscurecendo a proposta da igreja. Podemos ver estes exemplos na Bíblia, Saul começou como um rei abençoado e terminou um desviado.

Salomão começou como um sábio, o homem mais sábio da sua geração, que quando viveu em sabedoria, obedecendo a Deus, não houve ninguém como ele, nem antes e nem depois dele, mas terminou um apóstata, louco e sendo escravo dos desejos de suas mulheres.

Mas existem algumas pessoas que começaram mal e terminaram bem. E possível para uma pessoa que começaram mal, dá uma virada na vida e terminar bem.

Temos o caso na bíblia do ladrão da cruz, que a tradição o chama de Dimas, que ele era ladrão e nos últimos momentos de sua vida, no apagar das luzes, deu uma guinada e terminou bem.

O próprio apóstolo Paulo, começou muito mal, começou sua história validando o apedrejamento e morte de um homem (Estevão), mas terminou a vida como o maior ícone do cristianismo e afirmando: combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé.

Quero essencialmente falar esta noite para pessoas que começaram mal e querem terminar bem, como o apóstolo Paulo. Pessoas que acreditam que sua carreira não está muito bem, mas querem terminar guardando a fé.

E preciso que você começou mal no seu casamento. Que vive uma luta constante entre lágrimas e arrependimento por ter casado pode terminar bem.

Você que gastou muito mal os anos de sua adolescência e juventude, e você diz assim desperdicei os melhores anos de minha vida. É possível virar jogo de sua vida e terminar bem.

Você que negligenciou a companhia dos pais, ou que envergonhou seus pais, você pode mudar tudo isso aqui esta noite.

Você que diz assim, gastei muito mal meu dinheiro, que foi ruim nos seus negócios, ou que um perdulário que não gosta de pagar ninguém, pode mudar sua trajetória de vida e acabar bem.

Você que desperdiçou oportunidades espirituais magníficas de Deus, que se arrepende de não ter deixado ser usado por Deus, você pode ter certeza que Deus pode te enche hoje e te usar grandemente como usou o apóstolo Paulo, e você também pode dizer no final de sua jornada, combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé. Esta é a mensagem que quero trazer para você baseada na vida do grande apóstolo Paulo.

 

 

1-Não precisamos sentir que o processo de nossa vida chegou ao fim, e que ainda podemos combater o bom combate e guardar a fé.

 

Nestes dias eu estava assistindo uma reportagem sobre Oscar Niemeyer, o grande arquiteto brasileiro, um dos nomes mais influentes da arquitetura moderna Internacional. Ele tem grandes obras espalhadas pelo o Brasil e pelo mundo, aos 104 anos de idade ainda trabalha normalmente, se empenha pelo trabalho. Famoso, rico, reconhecido internacionalmente, podia muito bem está aposentado e parado.

 

Orland Boyer, o missionário pentescostal norte americano, veio a Pernabuco, com sua esposa Ethel Beebe, onde por um ano apreendeu a língua, depois esteve por quatro anos no sertão de Alagoas abrindo frentes de trabalhos. Em 1930, o casal de missionários americanos ,Virgil Smith e Ramona, foram feitos reféns de lampião e seu bando. Orlando Boyer foi comunicado que para ter libertação do amigo, teria que levar uma elevada quantia. Em razões das dificuldades econômicas da época, Ele conseguiu apwenas uma fração mínima exigids. Mesmo assim foi ao encontro de lampião, embora soubesse que corria perigo de morte. Ao chegar ao encontro dos cangaceiros, certo que poderia morrer, Virgil disse este amigo vem disposto a dar a vida por mim, mas Jesus deu a vida por toda a humanidade, ouvindo isso lampião libertou o casal. Após o ocorrido, retornou ao ocorrido em Maio de 1935. Lá sua esposa recebeu o batismo com o espírito Santo e do Departamento de Missões da Assembléia de Deus,os enviaram de volta ao Brasil

Em 1938, começou um trabalho em Camocim no Ceará, esteve por  dez anos pregando no estado. Depois passou três anos em Santa Catarina, Já em idade avançada e com sua esposa doente, voltou para o EUA, para o asilo de missionários. Em 14 de outubro de 1967 sua esposa faleceu. Orlando então pediu dinheiro para fazer um enterro digno para sua esposa, com o dinheiro voltou ao Brasil, pois sabia se ficasse longe do seu chamado de anunciar o evangelho de Jesus também morreria e faleceu aos 85 anos de idade em solo brasileiro levando a mensagem pentecostal.

Agora você me pergunta: Porque estou citando estes exemplos? Porque sei que tem algumas pessoas hoje aqui que não acreditam que possam virar o jogo da vida. Porque você se aperta numa sensação fraqueza e culpa, há uma mistura no seu coração de impotência e culpabilidade.

Você diz assim: não adianta mais já estou velho, o meu casamento não tem mais jeito, a época de aconselhamento já passou, era quando ainda tinha jeito.

No texto que lemos o apóstolo Paulo na Prisão em Roma, escreve suas cartas, pede os livros e os pergaminhos, mesmo sabendo que está perto de sua morte, não desiste de lutar pela causa do evangelho de Jesus.

Você que não se encontra preso, que tem toda liberdade de buscar um Deus vivo e poderoso, a força geratriz de toda a vida, que ressuscita morto, faz o sol parar, retém a chuva. Ele pode mudar sim tua trajetória de sua vida.

Você que sente seu casamento não tem Jeito, com pouco tempo de casamento ou que acha que é tarde de mais para recomeçar, você não precisa sentir que o processo de sua vida já passou do ponto.

Paulo sozinho, abandonado, traído, mas continua lutando e acreditando no evangelho. Ele não pensa em jogar a tolha no chão pendurar a chuteira e acredita na sua salvação e vai defender este evangelho até o último segundo de sua vida

Moisés tinha oitenta anos, quando foi chamado por Deus. Roberto Marinho 65, quando começou a rede globo.  Guethe, autor da célebre frase :"Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser." quando escreveu fausto tinha 82 de idade. Nelson Mandela passou vinte 27 na prisão e quando saiu com mais de 60 anos, acreditou que ainda podia ser presidente de seu país e foi eleito. Calebe estava com 85 anos, quando a promessa de Deus ainda não tinha se cumprido na sua vida, ele pelejou pela promessas de Deus e conseguiu alcança-la.

E quero dizer para você que diz assim: não tem mais jeito, que tem jeito sim,  ainda não terminou o tempo de sua vida, e Deus quer que você reverta sua história de  vida!

Muitos personagens bíblicos levantaram barreiras da capacidade quando do seu chamado por Deus: Moisés recebe o chamado do Senhor e diz que não era eloquente. “Nem antes nem depois do chamado de Deus, que era pesado de boca e pesado de língua.” Jeremias disse que era apenas um a criança.

Mas a grandeza de um homem está em superar suas limitações, sabendo que tem um Deus vivo que pode mudar as circunstâncias.

Na nossa sociedade temos homens que enfrentaram suas limitações e venceram, muitos deles não tinha a intimidade com Deus como muitos deste auditório tem.

Abraão Lincol nasceu na miséria e foi analfabeto até aos 17 anos, formou-se em direito, foi presidente dos USA e tornou-se um dos maiores políticos da história. Aleijadinho teve as duas mãos destruídas pela lepra, venceu suas limitações e tornou-se o grande escultor Aleijadinho, mesmo esculpindo com os pés. Helen Keller nasceu cega, surda e muda, e tornou-se uma erudita de sua época, escreveu livros e formou-se com mestrado e doutorado.

Eu não vou me dar por derrotado enquanto a minha esperança for o Senhor, enquanto o espírito de Deus tiver me dando visão para obra Dele.  Eu não vou desistir enquanto eu puder cantar da fidelidade de Deus.

Eu não vou desistir enquanto eu puder sonhar sonhos, enquanto eu mantiver a minha fé como escudo, o meu sinto como verdade, enquanto o meus ombros estiverem vestidos com a couraça da justiça, enquanto os meus pés estiverem calçados com a preparação do evangelho.

 

 

2 – Para terminar bem precisamos fazer uma auditoria constante de nossa caminhada de fé. Será que o enredo de nossa fé está de acordo com a palavra de Deus.

 

Na nossa caminhada de fé, por defender nossos pontos de vistas, muitas vezes acabamos machucando alguém, ferindo outros. Algumas vezes no ardor de uma discussão, falamos o que não queríamos falar. Então o orgulho nos blinda, nos tornamos herméticos. Ainda que nossa consciência reconheça que estamos errados jamais pedimos perdão ou desculpas.

O apóstolo Paulo Atos 15: 37-39, teve uma desavença com Barnabé por causa de Marcos, por não o querer leva-lo para visitar os irmãos na cidade em que anunciaram o evangelho. Paulo achava ser indigno levar Marcos, pois esse não o seguiu em toda a viagem missionária. Marcos tinha responsabilidade secular e por causa disso não acompanhou o apóstolo em toda a viagem.

 Paulo refletiu, fez uma auditoria nos acontecimentos de sua caminhada, e reconheceu que estava errado. No livro de Filemom Paulo chama Marcos de cooperador, e em suas últimas palavras escrita pede para trazê-lo, pois é muito útil ao evangelho.

Na nossa comunidade de fé há diversos tipos de comportamentos: Sanguíneo; colérico; melancólico; fleumático. E não poucas vezes há conflitos, por isso Jesus manda perdoar seu irmão infinitas vezes (70 X 7). O perdão é a reencarnação da graça de Deus, por isso que no modelo de oração Jesus nos ensina: “perdoa a nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

A Bíblia ensina: “ireis mais não pequeis”. “não deixe que o sol se ponha sobre sua ira”. O paracleto de Deus está no nosso meio ajudando a suprir estas deficiências. Por isso que todo que nasceu de novo ter os frutos do espírito.

22 Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade.

23 a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.

24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.(Gl 5)

     O interessante e que Jesus, ensina não auditar apenas nossas caminhadas de fé, analisando os frutos, mais também daquele que dizem ser de Deus.

15 Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

20 Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?

23 Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

Profetizar, expulsar demônios, fazer milagres não certifica que você está apto ou não a terminar bem sua carreira de fé. Para terminar bem a sua caminhada você tem conhecer e fazer a vontade de Deus. E muitas vezes a vontade de Deus não é o que a mídia gospel alardeia tentando inculcar nos laicos e neófitos.

A sociedade gospel vive um neoevangelho com muitas coreografias espirituais e poucos frutos do Espírito, com muito movimento e shows, mais incapaz de impactar a alma do sedento por Deus. De líderes arrogantes, que se intitulam bispos, apóstolos, patriarca... Agindo como se o cargo eclesiástico fosse um titulo de nobreza como barão, visconde, conde, e rei.

Podem apresentar a coreografia espiritual que quiser, pode se alcunhar com o título de nobreza espiritual que poder, pode fazer sinais miraculosos, mas se não estiver fazendo a vontade de Deus e dando os frutos para beleza do cristianismo não está guardando bem a sua caminhada de fé.

O apostolo Paulo afirma: II cor14 “E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz”. E no livro de apocalipse o apóstolo João escreve em (Ap 16:14) “Pois são espíritos de demônios, que operam sinais; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso.”

Por isso que o apóstolo Paulo em suas últimas palavras escreve a Timóteo

2   prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.

3  Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,

4  e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas.

5  Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério

Nos dias atuais estamos inseridos num neoevangelho que está além do que foi escrito e o apóstolo Paulo afirma: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.”

Estamos vivendo os últimos tempos da igreja na terra precisamos meditar no que está escrito em I Tm 4

1 Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios,

2 pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada,

Se você quiser acabar bem, procura conhecer a palavra, pois lá tem a vontade e Deus para tua vida, tenha a atitude de não deixar ser enganado pelo príncipe deste século. Faça uma auditoria na sua caminhada de fé.

Deus nesses últimos dias está derramando a última chuva para colher os frutos da terra, Deus que levantar homens, mulheres, jovens, velhos para ir à contramão a esta imitação do evangelho de Jesus. Fazer oposição a este evangelho de um sincretismo pagão-cristão cheio de simpatias, amuletos, relíquias, sal grosso, arruda, neo apóstolos, neo patriarcas, de unções esquisitas e que adora a mamon.

 

 

3 – Na nossa caminhada devemos resistir a tentação de amar o presente século ( Optar pelo bem)

 

Um dia desses alguém veio me falar que um desses pseudoapóstolos, falara que se Deus tivesse revelado ao apóstolo Paulo as revelações que Deus revelou a ele nesse tempo, o apóstolo Paulo não teria sofrido tanto.

Isso me trouxe a memória a história narrada em I Rs 13, quando o Senhor manda um homem de Deus a Betel para predizer contra o altar, aquele homem deverias ir, profetizar e voltar, sem parar, beber ou comer em casa de ninguém. Porém um outro profeta mentiu para ele falando o que o Senhor não tinha afirmado, o homem de Deus acreditou, mudou a sua carreira, jornada, caminhada e terminou morto por um leão.

Todos nós somos tentados a amar o presente século e viver um evangelho diferente do anunciado pela bíblia e abandonarmos nossa carreira de fé. Jesus foi tentado estando em consagração. Jesus estava cheio do Espírito Santo e tinha jejuado quarenta dias e quarenta noites. O diabo o tenta pedindo que ele transformasse pedras em pão, fazendo com que Jesus usasse sua unção para benefício próprio, por orgulho, só para provar que realmente tinha poder. Jesus usou a palavra para rebatê-lo. Depois leva Jesus a um alto monte, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e promete dar-lhe estes reinos se Jesus o adorasse, Jesus mais uma vez o rebate usando a palavra. Ai então o astuto tentador, usa a palavra com uma hermenêutica manipulada para tentar fazer Jesus desviar de sua carreira, mas Jesus cita a palavra de maneira com o intuito para que foi escrito e o Diabo se afastou.

As maiores tentações em nossa jornada chegam quando somos levados no alto do monte e começamos a entender como se dá a dinâmica do sucesso. Diante do fascínio de contemplarmos a glória do mundo chegamos a esquecer a glória de Deus. Foi o que aconteceu com Dema v10. pois Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica, ....

O apóstolo Paulo e Barnabé foram tentados a ser adorados como deuses, Em atos 14:12 “A Barnabé chamavam Júpiter e a Paulo, Mercúrio, porque era ele o que dirigia a palavra“.

Queria sacrificar a eles, como rejeitou, aproveitando disso os judeus fizeram um tumulto e Paulo foi apedrejado e deixado como morto. Quando somos escarnecido e perseguido por defender o evangelho de Jesus isto gera em nós vida capaz de movimentar positivamente a vidas de outros. Quando somos justos com nossa consciência em Deus geramos vida espiritual ao nosso redor.

Esta atitude de Paulo gerou Timóteo, a maioria dos comentaristas bíblicos e da opinião que após ser apedrejado e deixado como morto em Listra (At 14), A mãe e a avó de Timóteo(Eunice e Lóide)  levaram Paulo para sua casa para cuidar das feridas dele, e foi ali em cima de uma cama, com o rosto cheio de sangue e pó que Timóteo ouviu a mensagem de um moribundo. Timóteo teve um referencial diferente do que o neo evangelho anuncia: que devemos ouvir pregadores eloquentes de sucesso. Timóteo deve ter pensado: se este homem leva pedradas pela a mensagem que prega e não desiste de anunciá-la é por que esta é verdadeira.

Muitas vezes seremos tentado pelas circunstâncias a adorar o presente século, teremos que enfrentar a crise do Ter e do Ser, apoiado por uma mídia anticristã que vai deste as músicas gospel ao tele evangelismo mercenário e interessereiro. As músicas nos impõe uma impressão de superastros que vai está sob os holofotes enquanto aqueles nossos adversários estarão na plateia, mais o evangelho não é show. Sabem qual era o espetáculo que o apóstolo Paulo fala e ainda conclama a igreja a ser seu imitador. Veja:

 Pois tenho por mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados a morte. Somos feitos espetáculos ao mundo, aos anjos e aos homens. Nós estamos loucos por amor de Cristo! Nós fracos, mas vós fortes! Vós ilustres, nós desprezíveis. Até a presente hora sofremos fome, sede, e nudez, recebemos bofetadas, e não temos pousada certa: Afadigamo-nos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando somos perseguidos sofremos; quando somos difamados, consolamos. Até o presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como escórias de todos.

Não escrevo estas coisas para se envergonhar, mas admoesto-vos como  meus filhos amados. Ainda que tivesse dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais, pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo. Admoesto-vos, portanto que sejais meus imitadores.”(I Co 4: 9-16)

 

A atitude de Paulo gerou Timóteo, nossas atitudes também geram vidas, formam crentes de caráter, verdadeiros guerreiros forjados nas batalhas espirituais. Quando dizemos não aos apelos de sucesso, estamos combatendo o bom combate e guardando a fé. Estamos movimentando engrenagens que darão continuidade ao verdadeiro evangelho de Jesus.

Os líderes pseudos cristãos abandonam a sua jornada e se tornam instrumentos de lúcifer, inculcando o desejo de possuir riqueza e glória do mundo. Tentam erguer seus tronos o mais alto possível e ser semelhante ao altíssimo.

Este estado nos líderes cristãos se manifesta muitas vezes dentro da própria instituição. Como o tentador se tornam insaciáveis em busca status da fé,. fazendo do evangelho um meio para enriquecimento.

O apóstolo Paulo nunca praticou e ensinou: Decretar benção da vitória em sua vida; amarrar o principado da miséria; quebrar maldição hereditárias provenientes de  seus antepassados; receber revelação do DNA da honra de Deus; possuir as unções do cachorro, leão, macaco, lagartixa, cobra, riso, Vômito, xixi e até do Bilau; semear as sementes da prosperidade; ter sido promovido a “paipostolo”; tracar de anjo da guarda; elaborar um mapeamento de batalha espiritual; regressão; ter recebido revelação do inferno; ter emitido ato profético; etc... o Apóstolo paulo ensina:

“Se alguém ensina outra doutrina, e se não é conforme com a sã palavra do nosso Senhor Jesus Cristo, e com as doutrinas que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões  e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro. De fato é grande fonte de lucro a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele; tendo porém sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Mais os que querem  ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem as homens na ruina e perdição. Porque o amor ao dinheiro é raíz de todos os males, e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se transpassaram a si mesmso com dores. ( I Tm 6: 3-10)”

Se você quiser continuar firme na jornada que Deus instruiu, não siga as multidões, pois a multidão não vai a lugar nenhum, um dia ela se lembra do pão multiplicado e grita “Hosana, Hosana ao filho de Davi” e em outro dia chega alguém com uma mídia que oferece mais então gritam “crucifique! Crucifique!

Nos Irmãos devemos correr a nossa carreira caminhando com Jesus, reconhecendo que a glória é dele, que a unção é dele e somos apenas vaso de barro. E mesmo muitas vezes nos sentindo como o apóstolo Paulo: sozinho; abandonado; traído; mas continuarmos lutando pelo o verdadeiro evangelho de Jesus.

 

CONCLUSÃO

Quero que você reflita não somente na sua jornada de fé, mas na sua caminhada como esposa, como esposo, como filho, como filha. Você quer terminar bem sua trajetória, não é mágica, e só você agora confiar em Jesus e na sua palavra. O processo de sua jornada não chegou ao fim. Faça uma auditoria em sua caminhada, veja onde errou, libere perdão, faça como Paulo fez com Marcos. O perdão é a reencarnação da graça de Deus. Deixe Deus trabalhar seu casamento, seu negócio sua vida cristã

Para o apóstolo Paulo chegar onde chegou ele tomou alguns passos que pra nós são invisíveis, são decisões e escolhas que fazemos ao longa da vida. É a liberação de perdão, e o acreditar mesmo em circunstâncias adversas, e o combater o bom combate para mostrar o verdadeiro evangelho de Jesus.

Hoje é tempo de virar o jogo da Vida. Dê o seu melhor e deixe que o supremo Deus tome conta de tudo. Você não está na presença de homens com grande título humano, mas na presença de servos, doulos, diaconew de Deus. Servos que zelam e acreditam no evangelho de Jesus, que esse evangelho pode transformar sua vida pelo o que foi anunciado.

Estamos na iminência de uma grande intervenção de Deus na história. Não queira que sua vida termine como posso de águas estagnadas mais sim como um rio que flui para vida eterna. Medite no tipo de evangelho que você esta vivendo.

Deixar para mais tarde não resolve absolutamente nada, apenas adia os sintomas que vão se tornando cumulativamente mais tarde e que você perderá o controle. Temos que fazer esta escolha hoje. Sua história não é automática, nada no mundo espiritual é automática, eu jamais me imaginaria pregando nesta igreja, e sinceramente este não era o meu desejo. 

O povo de Israel que viu a promessa, não entrou na Canaã celestial por negligenciar o final de sua jornada, o nosso deserto está acabando, Jesus está voltando e você precisa terminar bem.

           

 

 

 

 
Mensagem pregada por Marcos Avelino na AD Templo Central do Sítio São João em 14/10/2012

domingo, 2 de setembro de 2012

ENFRETANDO A DITADURA FRIA 


Durante o governo de João Goulart (1961-1964) A UNE e as Ligas camponesas foram fortalecidas. Isso levou a elite dominante, igreja e classe média se oporem a esse movimento por medo do comunismo. Com apoio dos EUA em 31/03/64 houve o golpe militar e a implantação da ditadura militar que durou de 1964 a 1985. Durante este período teve uso da repressão, investigação através do SNI, prisão, tortura e perseguição a cultura. Houve censura a imprensa, a músicas, as artes em geral. Tudo que julgavam ofender o regime tinha que ser abolido.
 
Durante o nazismus na Alemanha, houve censura, invasões as bibliotecas das universidades e queima de livros que julgavam nocivo ao regime. Adolf Hitler levou a Alemanha de tantos filósofos e pensadores a apoiar uma guerra e o genocídio dos Judeus.
 
Na atualidade existe uma ditadura sendo imposta e que já determinou as leis sociais, leis religiosas, delimitou a cultura. Como na ditadura militar ele tem o apoio da elite dominante, igreja e classe média. Faz uso dos meios de comunicações, da propaganda comercial e da libertinagem. Ela não sofre oposição nem resistência. Em lugar de fazer uso da repressão, tortura e controlar as pessoas pelo medo e pela dor, ela controla as pessoas pelo o prazer. Não é preciso censura de imprensa, pois são poucos os que sentirão vontade de ler, de se aprofundar e questionar. O impregnar de informações, tornou o meditar nestas irrelevante. O repassar de notícias de corrupção, de tragédias, do ruim, acostumaram à alma a petrificação e a tornaram insensíveis as causas sociais. Cada um tem seu mundo em particular, sua vida privada blindada. Não há quem resista a esta ditadura, quase todos já foram domesticados!
 
Onde estão os jovens idealistas que protestavam contra a ditadura, que faziam barricadas e que questionavam o sistema? Estão nos shoppings procurando pertences de grife para provar que podem realizar os sonhos de consumo ou estão fazendo alguma atividade individualista prazerosa que possa ter seu desejo glorificado sem pensar no coletivo.
 
O que aconteceu com o planeta? Porque uma mudança de visão tão grande? A alma está vazia de sonhos e ideal. Não há causas para defender. Para influenciar esta geração imediatista, egoísta e hedonista a ter um ideal para defender é preciso ensiná-la a pensar comunitariamente. Esta é uma das propostas da Unitas Fratrum.
 
Os evangélicos esperavam perseguições, fechamento de igrejas, prisão de líderes. No lugar da perseguição vem a provação da fé, do amor a Deus e sua palavra. No lugar de fechamento, há uma liberdade e abres-se “igrejas” em cada esquina. Esperavam proibição da pregação baseada nos princípios bíblicos, mas não é necessário, pois a verdade bíblica tornou-se irrelevante num pseudo evangelho interesseiro, sem conteúdo e sem preocupação com o outro. Outra proposta da Unitas Fratrum é trazer uma reflexão sobre o evangelho que estamos vivendo.
 
Mas a principal proposta da Unitas Fratrum é levar o evangelho em locais onde às denominações não estão interessadas em ir por não ter retorno financeiro. É capacitar servos de Deus, transformados pelo os valores do evangelho de Jesus,  para continuar a obra que a Igreja é destinada. É ir na contramão deste sistema religioso pragmático, triunfalista e secularizado que quando no alto do monte, optam por ter um pouco do reino de lúcifer e um pouco da glória do mundo.
Enfim, nossa missão é colocar em cheque esta ditadura fria que está devastando o cristianismo bíblico
Marcos Avelino

sábado, 24 de março de 2012

UNITAS FRATRUM

A tua palavra é a verdade: a saga dos Irmãos Morávios

Os irmãos morávios e a igreja valdense são os únicos grupos protestantes atuais cujas raízes mais remotas são anteriores à Reforma do século 16. Os valdenses tiveram suas origens em um movimento reformista iniciado por volta de 1175 por Valdès, um comerciante de Lião, no sul da França. Expulsos da Igreja Católica em 1184, seus simpatizantes enfrentaram heroicamente séculos de perseguição, abraçando eventualmente a Reforma Protestante. Refugiaram-se principalmente nos vales alpinos do norte da Itália, na região conhecida como Piemonte, a sudoeste de Turim. Os irmãos morávios, por sua vez, têm uma história ainda mais complexa, mas não menos inspiradora, cujos primórdios remontam à Inglaterra do final do século 14.
De João Wyclif a João Hus
John Wyclif (c.1325-1384) nasceu em Yorkshire, estudou na Universidade de Oxford e abraçou o sacerdócio. Na década de 1360, adquiriu grande reputação em Oxford e outros centros intelectuais como brilhante professor e escritor de filosofia. Posteriormente, tornou-se conselheiro teológico do rei e prestou serviços à coroa inglesa. Defendeu a teoria de que o poder civil tinha o direito de se apoderar das propriedades do clero corrupto. Suas opiniões foram condenadas pelo papa em 1377, mas ele teve o apoio de pessoas influentes e do povo. Após o Grande Cisma (1378), com a existência simultânea de dois papas rivais, suas idéias tornaram-se mais radicais e ele acabou por rejeitar toda a estrutura tradicional da igreja medieval. Em uma série de tratados teológicos, afirmou a autoridade suprema das Escrituras, definiu a igreja verdadeira como o conjunto dos eleitos, e questionou o papado e a transubstanciação. Além disso, incentivou a primeira tradução da Bíblia completa para a língua inglesa (1384).
Eventualmente, Wyclif perdeu o apoio da nobreza e de muitos simpatizantes, mas viveu em paz os seus últimos anos, vindo a falecer em sua paróquia, Lutterworth, no dia 28 de dezembro de 1384. Seus seguidores, conhecidos como lolardos, foram duramente reprimidos nas décadas seguintes. Ensinavam que a missão principal de um sacerdote era pregar as Escrituras e que a Bíblia dever ser acessível a todos nas várias línguas vulgares. Essas idéias contribuiriam para a ampla aceitação da Reforma Protestante pelos ingleses no século 16.
No século 14, a Boêmia (Tchecoslováquia) fazia parte do Sacro Império Germânico. Politicamente, o país estava dividido por conflitos entre os tchecos e a comunidade imigrante alemã, mais poderosa. Em 1382, a Boêmia, até então pouco ligada à Inglaterra, aproximou-se deste país por meio do casamento de uma princesa tcheca com o rei Ricardo II. Jovens tchecos passaram a estudar em Oxford e conheceram as doutrinas de Wyclif, que logo levaram para a sua terra, especialmente para a Universidade de Praga (fundada em 1348). Entre os professores que abraçaram muitas idéias de Wyclif estava o ardoroso Jan Hus (c. 1373-1415).
Hus nasceu na vila de Husinec, estudou na Universidade de Praga e foi ordenado sacerdote em 1400. Pouco antes da ordenação teve uma experiência de conversão pelo estudo da Bíblia e se tornou um zeloso defensor de reformas eclesiásticas. Além de lecionar na universidade, em 1402 foi nomeado pregador da Capela de Belém, o centro do movimento reformista tcheco, alcançando enorme popularidade por suas pregações. Como João Wyclif, ele ensinava que a igreja verdadeira consiste somente dos eleitos, dos quais o cabeça é Cristo, e não o papa. Embora defendesse a autoridade tradicional do clero, Hus afirmava que somente Deus pode perdoar pecados. Acreditava que nem o papa nem os cardeais podiam estabelecer como autêntica uma doutrina que fosse contrária à Escritura, e que nenhum cristão devia obedecer às suas ordens quando estas se revelassem abertamente erradas. Dizia que a igreja devia ter uma vida de simplicidade e pobreza, à semelhança de Cristo. A única lei da igreja era a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, daí a grande importância da pregação. Condenou a corrupção do clero, a adoração de imagens, os falsos milagres, as peregrinações supersticiosas e a venda das indulgências, mas manteve a transubstanciação.
A partir de 1410, as autoridades eclesiásticas e seculares começaram a tomar medidas drásticas contra os wyclifitas. Apesar de ser altamente estimado pelo povo, Hus foi excomungado e seguiu para o exílio no sul da Boêmia, onde escreveu sua principal obra, De Ecclesia (Sobre a Igreja). Munido de um salvo-conduto fornecido pelo imperador alemão Sigismundo, compareceu ao célebre Concílio de Constança (1414-1418), no sul da Alemanha, a fim de justificar as suas posições. Em 4 de maio de 1415, o concílio condenou formalmente João Wyclif como herege e ordenou que o seu corpo fosse retirado da terra consagrada (essa ordem só seria cumprida em 1428). Hus, considerado por todos um wyclifita, recusou-se firmemente a abjurar as suas idéias. No dia 6 de julho de 1415 foi sentenciado e queimado na fogueira, enfrentando a morte com grande coragem e dignidade.
A Unitas Fratrum e os Irmãos Morávios
A notícia da morte de Hus produziu grande revolta na Boêmia, que seria agravada pela condenação do seu amigo e colega Jerônimo de Praga, também levado à fogueira pelo Concílio de Constança, em 30 de maio de 1416. Outra fonte de protestos foi a proibição, pelo mesmo concílio, da ministração do cálice da Ceia aos leigos, prática que se tornara o símbolo do movimento hussita. Surgiram duas facções no movimento: um partido moderado e aristocrático, sediado em Praga, conhecido como utraquistas (referência à comunhão sub utraque, isto é, “em ambas” as espécies) ou calixtinos (do latim calix = cálice), e um partido radical, popular, os taboritas (de Tábor, a sua fortaleza). Os primeiros rejeitaram somente as práticas que consideravam proibidas pela “lei de Deus”, a Bíblia, ao passo que os taboritas repudiavam todas as práticas não sancionadas expressamente pelas Escrituras.
Após um período de conflitos, as duas facções se uniram em 1420, adotando uma agenda religiosa comum, “Os Quatro Artigos de Praga”, que exigiam a livre pregação da Palavra de Deus, o cálice para os leigos, a pobreza apostólica e uma vida de austeridade para clérigos e leigos. Durante alguns anos, eles se envolveram em várias guerras vitoriosas contra os seus adversários. Uma tentativa de acordo com a igreja católica produziu novas lutas internas, sendo os taboritas derrotados pelos utraquistas em 1434, na batalha de Lipany. Fracassado o acordo com o catolicismo, os utraquistas tornaram-se um grupo religioso autônomo, cuja plena paridade com os católicos foi declarada pelo Parlamento da Boêmia em 1485. Alguns anos antes, em 1457, havia surgido a Unitas Fratrum (Unidade dos Irmãos Boêmios), reunindo elementos taboritas, utraquistas e valdenses. Essa igreja absorveu o que havia de mais vital no movimento hussita e tornou-se a precursora dos irmãos morávios.
Com o advento da Reforma, os “irmãos unidos” abraçaram o protestantismo. Nessa época, eles contavam com cerca de 400 igrejas locais e 150 a 200 mil membros na Boêmia e na vizinha Morávia. Expulsos de sua pátria durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), espalharam-se por diversas regiões da Europa e perderam muitos adeptos. Um ano especialmente amargo foi 1621, quando quinze irmãos foram decapitados no “dia de sangue”, muitos crentes foram mandados para as minas ou masmorras, igrejas foram fechadas, escolas destruídas, Bíblias, hinários e catecismos foram queimados. Os poucos remanescentes continuaram a realizar as suas funções religiosas em segredo e a orar pelo renascimento da sua igreja. Um importante líder desse período aflitivo foi o notável educador Jan Amos Comenius (1592-1672), eleito bispo dos irmãos morávios em 1632.
O conde Zinzendorf e Herrnhut
Em 1722, sobreviventes dos irmãos unidos que falavam alemão, residentes no norte da Morávia, começaram a buscar refúgio na vizinha Saxônia, sob a liderança de um carpinteiro, Christian David. O jovem conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700-1760) permitiu que eles fundassem uma vila em sua propriedade de Berthelsdorf, cerca de 110 quilômetros a leste de Dresden. Zinzendorf era fruto do pietismo, um influente movimento que havia surgido recentemente no luteranismo alemão. Esse movimento teve como líderes iniciais Phillip Jacob Spener (1635-1705) e August Hermann Francke (1663-1727), sendo seu principal centro de atividade a cidade de Halle, também na Saxônia, a terra de Martinho Lutero. Os pietistas davam grande ênfase à devoção, à experiência e aos sentimentos, em contraste com a ortodoxia, credos e rituais. Também valorizavam a conversão pessoal, o sacerdócio universal dos crentes, o estudo das Escrituras, os pequenos grupos para comunhão e auxílio mútuo, e um cristianismo prático voltado para educação, missões e beneficência.
Nascido em uma família aristocrática, Zinzendorf recebeu uma educação pietista em Halle dos 10 aos 17 anos. Desde a infância revelou uma intensa devoção pessoal a Cristo e mesmo depois de ingressar no serviço público, em 1721, continuou a ter como interesse predominante o cultivo da “religião do coração”. Foi então que entrou em contato com os morávios. A vila que estes fundaram em sua propriedade recebeu o nome de Herrnhut (“a vigília do Senhor”). A comunidade cresceu e logo se uniram a ela muitos pietistas alemães e outros entusiastas religiosos. Inicialmente Zinzendorf lhes deu pouca atenção, mas em 1727 começou a assumir a liderança espiritual do grupo. Superadas algumas divisões iniciais, no dia 13 de agosto de 1727 foi realizado um marcante culto de comunhão que veio a ser considerado o renascimento da antiga Unitas Fratrum, a Igreja Morávia renovada. A partir de então, Herrnhut tornou-se uma disciplinada e fervorosa comunidade cristã, um corpo de soldados de Cristo ansioso em promover a sua causa no país e no exterior.
Embora Zinzendorf desejasse que os morávios permanecessem como membros da igreja estatal da Saxônia (luterana), gradualmente eles formaram uma igreja separada. Em 1745 a Igreja Morávia já estava plenamente organizada com seus bispos, presbíteros e diáconos, embora seu governo fosse, e ainda seja, mais presbiteriano que episcopal. A essa altura o moravianismo estava criando uma liturgia de grande beleza e uma rica tradição hinológica. A Igreja Morávia restaurada permaneceu pequena, mas sua influência se fez sentir em toda a Europa. Seus primeiros bispos foram David Nitschmann (1735) e o próprio Zinzendorf (1737), que, após uma vida de intensa atividade missionária e pastoral na Europa e na América do Norte, faleceu em Herrnhut em 1760. Certa vez havia declarado, referindo-se a Cristo: “Eu tenho uma paixão; é ele e ele somente”.
Até aos confins da terra
Com o seu zelo por Cristo, os morávios escreveram uma das páginas mais nobres das missões cristãs em todos os tempos. Nenhum grupo protestante teve maior consciência do dever missionário e nenhum demonstrou tamanha consagração a esse serviço em proporção ao número de seus membros. Numa viagem a Copenhague para assistir à coroação do rei dinamarquês Cristiano VI, Zinzendorf conheceu alguns nativos das Índias Ocidentais e da Groenlândia. Regressou a Herrnhut cheio de fervor missionário e, em conseqüência disso, Leonhard Dober e David Nitschmann iniciaram uma missão aos escravos africanos em St. Thomas, nas Ilhas Virgens, em 1732, e Christian David e outros seguiram para a Groenlândia no ano seguinte.
Em 1734, um grupo liderado por August Gottlieb Spangenberg (1704-1792) começou a trabalhar na Geórgia. No Natal de 1741, o próprio Zinzendorf visitou a América e deu o nome de Bethlehem (Belém) à colônia que os morávios da Geórgia estavam criando na Pensilvânia. Essa cidade se tornaria a sede americana do movimento. O mais famoso missionário morávio aos índios norte-americanos foi David Zeisberger (1721-1808), que trabalhou entre os creeks da Geórgia a partir de 1740 e entre os iroqueses desde 1743 até a sua morte.
Herrnhut tornou-se um centro de atividade missionária, iniciando missões no Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Argélia, Guiana, Jamaica, Antigua e outros locais. Em 1748, foi iniciada uma missão aos judeus em Amsterdã. Até 1760, o ano da morte de Zinzendorf, os morávios haviam enviado 226 missionários a dez países e cerca de 3 mil conversos haviam sido batizados. Outros locais alcançados posteriormente foram Egito, Labrador, Espanha, Ceilão, Romênia e Constantinopla. Em 1832, havia 42 estações missionárias morávias ao redor do mundo. Os nomes dos primeiros campos missionários mostram uma característica do trabalho morávio: eram em geral locais difíceis e inóspitos, exigindo uma paciência e dedicação toda especial, traço que até hoje caracteriza o trabalho missionário desse grupo.
Conclusão
Com seu heroísmo, apego às Escrituras e consagração a Deus, os irmãos morávios, embora pouco numerosos, exerceram uma forte influência espiritual sobre outros grupos e movimentos protestantes, especialmente na Inglaterra. A convivência com alguns morávios causou profundo impacto em João Wesley e contribuiu para a sua conversão e o surgimento do metodismo. William Carey, o pioneiro das missões batistas, os admirava grandemente e apelou para o seu exemplo de obediência. Eles também inspiraram a criação de duas das primeiras agências protestantes de missões — a Sociedade Missionária de Londres (1795) e a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804). Assim completou-se um ciclo extraordinário: a obra do pré-reformador inglês João Wyclif contribuiu para o surgimento dos morávios e, séculos depois, estes foram uma bênção para a Inglaterra e, por meio dela, para muitos outros povos.

Autor: Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Fonte de Publicação: Revista Ultimato de janeiro de 2009  (www.ultimato.com.br)

Obs. O texto está na integra como foi publicado.